sábado, 17 de março de 2012







(...)Hoje eu acordei com medo, mas não chorei. Nem reclamei abrigo

Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua, que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás”
(Cazuza / Frejat)


Qualquer que fosse tudo aquilo que se passava lá dentro e que ela mesmo queria entender, não se entendia. Se contradizia. Almejava a si mesmo um sentido fictício para o que se criara desde o início: o primeiro amor. Tal qual os contos das fadas encantadas. Como nos seriados das 5 da tarde. Algo que chegou e se aconchegou nos braços daqueles quase 20 anos, com um passo lá no começo da formação de vir a ser o que se é.


E se deparar com o que ela não sabia que peso teria. Com gosto de quê? Com as regras parecidas com qual jogo? Primeiro amor era o desconhecido. Era o brincar de ir até o fim, mesmo sem saber que fim teria a brincadeira. É experimentar o crescimento, as descobertas, é estar nas fotos e fases que não se apagam com borracha, mas que se escrevem com lápis de ponta fina, tornando mais delicadas as linhas e desenhos das mãos que entrelaçaram os muitos anos que passaram juntos.

E quando se começa a descobrir a beleza desse amor, ele se quebra e estilhaça o que nunca se conseguiu dimensionar. A magia dessa primeira história está nessa verdade invisível, nesse compreender tardio, nesse deixar ir descompromissado, por vezes irresponsável, que ora acena com a mão para que o outro siga adiante, ora se condena na vontade de ficar, se agarrando às peças de um quebra-cabeça que só faz sentido quando um bom tempo decide montá-lo.

Quando não sabem, quando não esperam, quando não querem. Quando começo e fim passam a revelar suas paletas de cores, se dá um passo definitivo rumo ao amor. Nem tão morno, nem tão ingênuo, mas com escritas firmes de canetas, em páginas pautadas de linhas que se unem no infinito. Com outros pontos, outra métrica, e novas maneiras de declamar uma mesma poesia.



1 comentários:

Guilherme Wladeka disse...

Eu juro. Quase caí aqui.

Coloquei uma música no blog, não bastasse isso coloquei a letra tb.

Aí lembrei de vc.

E quando cheguei aqui o que eu achei?

Vai lá agora e olha que música que eu escolhi.