segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Retrato dela

Avaliar, questionar, compreender, entender. Mover aquela sujeira embaixo do tapete em dia de faxina é descobrir que a limpeza em que se vivia não era mais que uma ilusão. E ilusão é a palavra que apareceu estampada em sua testa hoje cedo. Iludida, ela acendeu a lâmpada para clarear o quarto já iluminado pelos raios de sol. Um tanto faz sem fim tomou conta da pobre moça iludida que acordou nesta manhã diante dessa minha perspectiva: Sentada em sua janela a observá-la.

Tanto fez trocar as meias, prender o cabelo sem pentear, lavar o rosto sem remover a maquiagem que ela nem fez questão de tirar na noite anterior. Tanto fez não colocar brincos, vestir a blusa amarrotada e não arrumar sua cama. Ela já ia saindo do quarto com a bolsa repleta de "tanto-faz" quando uma parada involuntária do seu corpo a faz travar-se ao chão. Ela dá exatos três passos para trás e se vê diante de um porta-retrato. Ela viu um rosto com um imenso sorriso. Ela podia negar o fato de ter se incomodado com aquele rosto tão seu, mas seus olhos fitaram aquele sorriso com ardor. E com sua dor.


E eu fiquei ali, no mesmo canto da janela, a observá-la. Ela inclinou seu olhar para o chão, deu três passos para frente e abriu a porta. Ela saiu do quarto e seguiu para o trabalho. Virei-me para o outro lado da janela, de maneira em que consegui observá-la andando em direção ao portão, ao carro, à solidão.


Daí eu comecei a avaliar, questionar, compreender, entender. E ainda assim é um pouco confuso para mim, que lido com essa menina tão de perto, vê-la partindo apática em dias cinzas, num sorriso tão errôneo, num brilhar tão desfocado, numa emoção tão contida, num sonhar tão acordado. É difícil não poder seguir seu rumo, lhe fazer companhia e ter que aceitar a condição dela me deixar ali, presa com um sorriso no retrato.


O retrato que fotografou sua ilusão.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A morte anunciada

Ela fazia de tudo pra que ele saísse ileso de toda aquela situação, mas parece que seus dias já estavam contados. Ela o tratava com toda dedicação merecida. Alimentava-o de lembranças dos seus dias mais doces. Relembrava as histórias em que ele foi o personagem principal dos seus contos.


Todas as vezes que as forças lhe faltavam, era ela quem o colocava no colo, acalentando-o como quem protege sua cria. Ressuscitando-o com a transfusão do seu calor. Ela fazia aquilo de maneira solitária e solidária. Ofertando pequenos fragmentos dela em troca da certeza de que ele nunca morreria.


Mas parece que seus dias já estavam contados. Dia após dia ele desaparecia aos poucos. Ela, desesperadamente, pedia ajuda. Mas nada revertia o delicado quadro clínico em que ele se encontrava. Sua morte era certa. Mais cedo ou mais tarde ele iria partir. E ela não acreditava que, aquele que sempre esteve por perto, mesmo que lhe causando certo desconforto, iria deixá-la pra sempre.


Numa manhã de domingo ela se pôs a caminhar nas proximidades da sua casa. Você apareceu, de repente, cruzando a mesma calçada. Vocês sorriram e até se abraçaram. Ela estava linda e radiante como você nunca a viu. Você perguntou por ele, mas ela desconversou dizendo que precisava seguir em frente.


Você acreditou que ele ainda estivesse com ela, respirando com ajuda de aparelhos, que não o deixaria morrer por completo. Mas era tarde demais. Ele já havia morrido. E a sua morte colocaria um fim a todas as esperanças. A morte faria com ela pudesse seguir em paz o seu caminho.


Você não sabia, mas naquela manhã ela havia confirmado a morte anunciada do Amor.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Te quero

Eu queria voz. Um pouco rouca e grossa, que combinasse com sua barba espaçada, mas que completasse substancialmente o charme de seus cabelos castanhos que insistiriam em cair sobre seus olhos. Aliás, seria mel. A cor dos olhos e o gosto dos seus beijos. A pele clara combinaria com o sorriso largo, enquanto a sua gargalhada produziria efeitos terapêuticos ao ecoar em mim.


Eu queria braços fortes para me carregar em dias de sono e me abraçar loucamente quando fruto da saudade. Das suas mãos emanaria o carinho perfeito para tardes chuvosas e aparariam com candura desde as minhas lágrimas singelas até as torrenciais. Nas suas costas caberiam a nossa casa e nossos sonhos e se assemelhariam ao tamanho do seu coração bondoso para com o mundo que o cercasse.


Eu queria que seus dedos dedilhassem várias canções ao anoitecer na varanda e que nelas eu viajasse nas trilhas que embalaram nossas melhores lembranças. Queria também uma fé lúcida e tenra que trouxesse o céu para mais perto da gente. E de suas falas, eu queria as piadas graciosas, os contos e poesias, as palavras mais certas, as dúvidas necessárias para desvendarmos juntos.


Eu queria nossos filhos, com dois nomes e setenta por cento mais do jeitinho dele do que meu. Ao querer neles tudo isso que eu sempre quis: o amor, o amado, o amável. E dia após dia, durante todo o tempo em que eu pudesse tê-lo ao meu lado, eu o queria ali: sussurrando que me ama, bem baixinho e com aquela voz rouca, enquanto eu terminaria de recortá-lo e montá-lo na minha memória já falha e cansada, com o coração repleto de paz.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O belo e triste aspecto da dor

"Eu cansei de ser assim. Não posso mais levar. Se tudo é tão ruim, por onde eu devo ir? A vida vai seguir, ninguém vai reparar. Aqui neste lugar eu acho que acabou. Mas vou cantar pra não cair, fingindo ser alguém que vive assim de bem." (O pouco que sobrou - Los Hermanos)

Uma dúvida perpetuou minha tarde. O que me dá ânimo pra vencer a luta diária que me faz almejar a felicidade como prêmio? O que me leva a crer que é possível desfazer tantos nós na garganta enquanto transformo em tabela as metas para o meu futuro? Qual o objetivo do meu foco sobre a dor?

Indagar tudo isso me levou a analisar um período comum à maioria dos seres humanos. Sabe aquela fase que vai desde a tristeza sem fim, passando pelos problemas sem solução até chegar na luta pra sair do buraco, retomar a vida, refazer planos e etc?

Nesse período é normal e, ao mesmo tempo, irritante tantas reclamações e excesso de lágrimas lançadas no caminho, nos ombros de amigos, nos posts de blog, nos e-mails... A maioria sabe que por fim tudo passará ou, ao menos, será tirada alguma lição num futuro próximo. O que não se sabe é quanto tempo o drama durará. Que marcas ele deixará dessa vez.

Por mais inteligente que sejamos, o que é o melhor a ser feito? Calar ou gritar? Fingir que nada acontece ou chamar a atenção para a dor? Esperneios e a super valorização da dor são as escolhas mais freqüentes. Uma saída mais fácil para alguns, uma única saída para muitos. Uma erupção de um vulcão. Um alívio para as emoções.

E por falar em emoções vale lembrar o quanto tudo se torna intenso nessas fases. A predileção pelos aspectos negativos, pelo o pessimismo, a comparação com histórias alheias e toda a percepção do mundo que gira ao seu redor altera de uma forma inacreditável. Em compensação são nessas fases que damos um salto gigantesco quando assunto é amadurecimento. São nessas fases que os artistas produzem suas obras mais fantásticas. É a dor fotografada, filmada, pintada com tinta óleo, cantada, recitada, interpretada, indignada. Impressa ou em melodia, no palco ou na galeria.

Mas por quê? A resposta que me vem à mente é essa intensidade toda. Um momento altamente introspectivo e pessoal que resulta numa fonte verdadeira de sentimentos. Tudo é muito real: a fraqueza é real; a solidão é real; o medo é real; a dor, em todas as suas formas, é real. Sendo assim tão verdadeiro esse período torna-se um marco zero. Algo inesquecível e totalmente necessário. Além de ser um combustível para questionamentos e indagações que perpetuarão por vários outros períodos como esse.

E, pelo visto, por várias outras tardes, como a de hoje.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Eu nem me lembro mais...

"Tudo que vai... Deixa o gosto, deixa as fotos. Quanto tempo faz? Deixa os dedos, deixa a memória. Eu nem me lembro mais... Fica o gosto, ficam as fotos. Quanto tempo faz? Ficam os dedos, fica a memória... Eu nem me lembro mais!" (Tudo que vai - Dado Villa-Lobos, Alvin L., Tony Platão)

Hoje eu tentei te buscar em minha memória. Vasculhei a gaveta onde eu escondo os arquivos que eu jurei nunca mais abri-los e você não estava lá.
Achei que você pudesse estar entre as lembranças dos livros que eu li, mas nenhum deles contavam sobre a nossa história.
Levantei o tapete na esperança de que ao menos aquelas brigas e palavras que nos machucaram tanto estivessem ali, escondidas no local que as deixamos e nada!
Lembrei-me das tantas juras que mandei fazer moldura para pendurá-las naquela parede azul da sala de estar. Os quadros continuavam no mesmo lugar, mas estavam todos vazios, sem juras ou promessas. Todos em branco.
Liguei então o rádio para ouvir a nossa canção e quem sabe a sua voz cantando em meus ouvidos, mas todas as músicas eram novas e eu desconhecia as letras.
Abri então o armário, pois sabia de lá sairia o seu cheiro que exalava das roupas que você tinha deixado pra buscar depois, mas só senti o cheiro de mofo de um armário vazio.
Procurei desesperadamente aquele nosso álbum e nas fotos você já não estava ao meu lado.
Subi as escadas e te busquei na varanda que tinha vista para aquele horizonte tão cheio de planos e sonhos, se lembra? Mas o que eu avistei foi um futuro sem você.
Deitei então na cama que tanto acalentou nossos corpos, mas só senti o frio da solidão.
Desisti de te buscar.
Descobri que o tempo chegou primeiro e te levou de mudança para um lugar que eu não posso visitar.
Tempo esse que te apagou de mim e deixou em seu lugar o vazio de uma saudade esquisita,
Que ora chega sem avisar, ora parece me matar.
Que invade e mexe,
E passa.
Como sempre, passa!
Mas que insiste em doer ao passar por mim.

Onde você estava?

Quando eu ganhei aqueles ingressos que eu tanto queria, onde você estava?
Quando a chuva foi mais forte que a informação da meteorologia e me fez ficar trancada naquele quarto, escutando Janis Joplin no último volume... Onde você estava?
Quando eu passei a noite naquele hospital ou quando tive que enfrentar aquela reunião com os professores do meu irmão, me diga: onde você estava?
Quando os novos cachorros chegaram e quando eu fui à minha primeira sessão de terapia, onde você estava?
Quando eu bebi mais do que devia e andei sem rumo pelas ruas... Eu não sabia onde você estava.
Quando eu chorei, de joelhos, naquela igreja, clamando aos céus por piedade... Onde você estava?
Quando eu comprei essa blusa, essa calça, aquele colar e aqueles sonhos novos... Por favor, onde você estava?
Quando meus cabelos foram cortados e pintados dessas tantas cores, onde você estava?
Quando me iludiram, me magoaram, me usaram e me ensinaram essa realidade dura... Onde diabos você estava?
E quando eu conquistei? Quando eu acertei? Quando eu acreditei? Quando eu venci?
Onde Você Estava?
A verdade é que agora eu quero saber onde você está.
Agora que a solidão me faz companhia...
Eu PRECISO saber!
Essa questão a qual era tão indiferente, me consome de forma voraz.
Dia após dia.
E onde quer que você esteja...
Poderia estar pensando em mim...
E planejando alguma forma de me encontrar. Onde você está?

O que ela queria...

Tudo que ela queria naquele momento era guardar as tantas observações fantásticas e banais sobre aquela segunda-feira, com a certeza de que, no fim do dia, ele pudesse atender sua ligação, com um entusiasmo sem fim, querendo saber como foi o seu dia.

Tudo que ela queria era colocar em prática aquela idéia do recorte das frases que mais usavam e aquela outra idéia maluca de filmar os lugares por onde passaram, acompanhado das tantas trilhas sonoras que tiveram.

Tudo que ela queria era que essa dorzinha de uma úlcera mal curada fosse um motivo pra ele vir buscá-la depois do trabalho, com um beijinho doce em sua testa, ficando ao seu lado no hospital enquanto ela tomava Antak na veia.

Tudo que ela queria era aquele cafuné nas costas que só ele sabia fazer. Aquele olhar sério enquanto ele dirigia e ela se esparramava em seu ombro direito. Aquela risada gostosa que já emendava com um abraço apertado. Aquele perfume.

Tudo que ela queria era ainda poder ter a companhia dele por perto, escutá-lo tocar no violão aquela canção que os equalizava numa freqüência que só os dois sabiam.

Tudo que ela queria era ter se dado conta. E em tempo. Era ter compreendido antes aquela forma, meio sem jeito e destrambelhado, de amar. Ter expressado antes, o que ficou engasgado em sua garganta nesses 1 ano e 9 meses depois.

Tudo que ela queria era que os anos não tivessem passado tão lentamente sem apagá-lo, enfim, de dentro dela.

Tudo que ela queria era aceitar os novos motivos que ele tem pra ser feliz, o novo amor que o preenche de uma forma tão bonita e que ela não se sentisse menos importante por não ter conseguido fazer com que aquela história rendesse até o tal "pra sempre".

Tudo que ela queria era entender por que, afinal, não esquecia aquele moço? Por mais que o tempo passasse, outras pessoas em seu caminho cruzassem, suas maneiras de ver o mundo mudassem... Nada arrancava dela esse vazio maluco, esse doer quando seu corpo teimava em respirar e seguir em frente.

Teria sido sua alma condenada a tal sofrimento? Ela se perguntava por não compreender esse eterno ciclo que culminava em voltas e voltas, mas findava no mesmo lugar de partida.

Restos...

"Nada ficou no lugar. Eu quero quebrar essas xícaras. Eu vou enganar o diabo. Eu quero acordar sua família... Eu vou escrever no seu muro e violentar o seu gosto. Eu quero roubar no seu jogo. Eu já arranhei os seus discos..."

O que eu não suporto é essa situação!
Espera aí! Pra quê você teve que aparecer nessa historinha que já não estava das melhores?
Olha... Sinceramente eu não consigo entender qual a sua intenção de surgir daquela forma tão desconcertante, tão cheio de coincidências e maestria, pra me assustar daquele jeito?
Eu não estava esperando.
E então o que você me diz dessa moça que aqui se apresenta?
Ela não tinha combustível pra chegar até o fim.
E agora?
Onde ela irá buscar ajuda?
Você é um imprestável que a largou no meio do nada, com destino a lugar nenhum.
E eu te odeio por ter transformado tanta esperança em um pó miserável, repleto de pena e risadas que ecoam a quilômetros de distância.
E eu te odeio por você ter vários rostos e disfarces, por ter tantos nomes e identidades, por ser tantas falsas metades.
Eu te odeio por tamanha confusão que és capaz de provocar, seja em vida real ou imaginária, me fazendo refém sanguinária de um crime sem culpa ou perdão.
Eu te odeio por querer te amar todas as vezes que você aparece, novo ou de novo, levando meus suspiros, renovando meus medos, açoitando-me com carinho, prometendo o que não cumpres, e indo embora como todos os outros e por todas as vezes.
Nada fica. Nada vinga. Nada cresce. E nada acaba de fato.
Sempre fica o resto.
O maldito resto de tudo que nada foi.

"(...) Que é pra ver se você voltaQue é pra ver se você vemQue é pra ver se você olha pra mim" (Mentiras - Adriana Calcanhotto)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Não há ninguém...


A mente vazia repete atrás da porta que define sua entrada:
Não há ninguém!
Ninguém prometeu escrever, voltar, chegar.
Não há nenhum tipo de retorno sensível.
Nenhuma frase de impacto.
Nenhuma cena eternizada ou incompleta.
Os pontos e os pingos estão nos devidos lugares.
Não há nada que modifique o status do vazio que se apropria da esperança obsoleta.
A negação substitui com veemência a dúvida que inquieta e irrita.
Ao negar a ação de esperar o que não existe, faz-se real a presença do nada.
O nada que acontece, de maneira induzida, na mente que aprendeu a ser controlada, ponderada e limitada.
Adestraram a mente para educar o coração.
Prepararam as poucas escolhas e sorte para suprir a dependência e carência, como alívio certo.
E deixaram pequenas frestas para que a luz, um dia, invadisse o vazio.
Mas os olhos se fecham para que as vistas não assimilem as possíveis luzes,
Ora do passado, ora do futuro.
E a luz que teima em entrar pelas frestas, não é decodificada e compreendida pela mente castrada,
Atrofiada à certeza do nada permanente.
A mente não entende como esses feixes poderiam persuadir o vazio.
E sequer sente a necessidade de que eles entrem.
Ela ignora e segue, deixando ecoar o velho lamento:
Não há ninguém.
Ninguém que traga a cura em tempo, antes de findar a queda livre
Rumo ao vazio infinito de sua solidão.
=====

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O texto que eu não fiz para o dia dos namorados

Não quero levantar a bandeira dos solteiros nesse doze de junho. Também não quero falar sobre o aspecto comercial da data. E, de forma alguma, pretendo chorar pitangas por conta da solidão.

Mas não há dia mais propício para que eu pudesse fazer tudo isso num texto só... Poderia até começar dizendo que os solteiros vivem num mundo à parte, onde aprendem a dividir segredos de liquidificador somente para si. Eles sabem lidar direitinho com aquelas festas, todas lotadas, sem se intimidar ou não saber o que fazer com as mãos. Esses solteiros são super desbitolados e não sabem ou não se lembram do poder terapêutico que é um colo. E são tão livres que sequer precisam deixar rastros de suas partidas rumo à solidão.

Realmente,  nessa data eu conseguiria dizer que é um terror não saber pra onde ir e não ter o que fazer diante de tanta poluição visual com o excesso de amor publicitário e marketeiro. Daria até pra comentar que fazer compras é ter que negar para si e para todos os vendedores inconvenientes, que aquilo não se trata de presente para namorado algum. E terminaria dizendo que não adianta apelo comercial para alto preço da solidão. Por mais resolvida e bem assimilada que ela seja.

De jeito nenhum! Quero ficar longe de debates assim. Quero trabalhar normalmente, estudar normalmente e ir para casa. E como se isso fosse normal, eu iria dormir. Como se a noite pudesse me trazer a chance de fugir do meu normal e sonhar com dias menos cinzas, palavras mais doces, olhos mais brilhantes, risadas mais gostosas, frases mais felizes.... como se assim o coração ficasse mais completo.

Bom, mas isso só aconteceria se eu me sujeitasse a falar de um assunto como esse, numa data como essa. 

Mas eu não preciso falar sobre isso em dias assim.

Posso seguir sem contar nada.

E pra ninguém.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sentimento de Thundercats

O engraçado é que ultimamente me senti picada pelo bichinho da realização pessoal. Nada externamente visível, mas aqui dentro tudo parece novo e com cheiro de plástico pronto para ser desembalado. É um futuro que de repente se descobriu diante meus olhos, que tanto se perdiam por entre dúvidas e contradições.

Levei um choque de 220 volts, capaz de acordar meus sonhos que até então estavam em coma profundo. E de lá para cá, há um sorriso na alma que eu não sei dizer e uma vontade de gritar pra não sei onde, que eu estou chegando... Chegando para ver o que só essa esperança explica.

E dá-lhe risada marota de criança boba, com olhos brilhantes, achando que tudo logo se acerta. As canetas criam poderes especiais para traçar metas, rabiscar objetivos que, poxa vida, estavam pra lá de esquecidos dentro de mim.

Pode ser que eu já tenha crescido o bastante pra não dar tempo de mudar o rumo e o foco. Pode ser que a minha visão além do alcance seja mais modesta sem o olho de Thundera.

Mas é o movimento que me faz seguir. É o motivo que me faz sorrir. É a contramão de sentimentos que me deixa louca por essa vontade de pagar pra ver.

Mesmo que eu tenha que dividir o pagamento dessa felicidade em suaves prestações.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A solidão

"A solidão é fera, a solidão devora. É amiga das horas, prima-irmã do tempo. E faz nossos relógios caminharem lentos causando um descompasso no meu coração. A solidão dos astros; a solidão da lua; a solidão da noite; a solidão da rua". (Solidão - Alceu Valença)

Não importa o quanto chove lá fora e nem o quanto é difícil carregar a sacola de compras nas mãos e ter que abrir a porta ao mesmo tempo. Você está sozinha e precisa contar somente contigo. E esse "contigo" virou um companheiro constante, mas que não te ajuda a pagar as contas do aluguel. Você entra e larga as novidades do seu dia naquela prateleira alta da estante, pois lá elas ficarão protegidas até que um dia você possa dividi-las com alguém.

Você suspira. Um longo suspiro que rasga essa noite que parece não ter fim no seu contar do tempo. O vazio lhe cobre e lhe fere com um tecido áspero de uma realidade dura: A solidão. Você até que disfarça bem, mas seu espelho sabe. Sim, ele sabe que você é mais forte que ela e até se aproveita dela pra crescer um pouco mais dessa vez. Só que os livros de contos de fada e da própria história não conseguem negar o fato que a sua natureza humana não nasceu para ser só. Você pode viver sozinha, mas você não quer e isso destoa dos seus dias tão ímpares.

E esse querer não cala a tua alma? Que grita insistentemente por um outro alguém... Cadê ele? Cadê aquele alguém que também te busca e te espera? Cadê aquelas vírgulas e reticências que completam a sua poesia? Ele vaga por aí e até cruza seu caminho. Vocês já se esbarraram, aposto! Ou mesmo se falaram, mas não se identificaram ainda. A senha de acesso havia bloqueado os corações e a solidão embaçou as vistas.

Mas aquele lugar ao seu lado na janela ainda o espera. Aquela cadeira de listras azuis ainda o espera. Aquele jantar a luz de estrelas ainda o espera. E aquelas novidades que você escondeu na prateleira mais alta da estante ainda o esperam.

Mesmo que se tornem velhas. Mesmo que não façam mais sentido.

Por que um dia era pra ele que elas deveriam ser contadas.

E não pra solidão.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tudo aquilo

Tudo aquilo que sempre se lançou ao mar, não mais voltava com as ondas.
Não mais voltava o som dos gemidos. Dos gritos. Dos sussurros.
Do barulho que quebrava o silêncio do mar tranquilo, sem ondas.
Não havia o que voltar quando aquele lançar antigia a distancia de que se perdiam as vistas.
Não havia motivos para esperar o retorno do que não existia mais.
Ficaram as pegadas solitárias na areia e cartas sem destino certo.
Restaram o mar revolto e o céu aberto
E tudo aquilo num peito coberto de água e sal.

terça-feira, 17 de março de 2009

Alguma coisa morna e ingênua




“(...)Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás”
(Cazuza / Frejat)


Qualquer que fosse tudo aquilo que se passava lá dentro e que ela mesmo queria entender, não se entendia. Se contradizia. Almejava a si mesmo um sentido fictício para o que se criara desde o início: o primeiro amor. Tal qual os contos das fadas encantadas. Como nos seriados das 5 da tarde. Algo que chegou e se aconchegou nos braços daqueles quase 20 anos, com um passo lá no começo da formação de vir a ser o que se é.

E se deparar com o que ela não sabia que peso teria. Com gosto de quê? Com as regras parecidas com qual jogo? Primeiro amor era o desconhecido. Era o brincar de ir até o fim, mesmo sem saber que fim teria a brincadeira. É experimentar o crescimento, as descobertas, é estar nas fotos e fases que não se apagam com borracha, mas que se escrevem com lápis de ponta fina, tornando mais delicadas as linhas e desenhos das mãos que entrelaçaram os muitos anos que passaram juntos.

E quando se começa a descobrir a beleza desse amor, ele se quebra e estilhaça o que nunca se conseguiu dimensionar. A magia dessa primeira história está nessa verdade invisível, nesse compreender tardio, nesse deixar ir descompromissado, por vezes irresponsável, que ora acena com a mão para que o outro siga adiante, ora se condena na vontade de ficar, se agarrando às peças de um quebra-cabeça que só faz sentido quando um bom tempo decide montá-lo.

Quando não sabem, quando não esperam, quando não querem. Quando começo e fim passam a revelar suas paletas de cores, se dá um passo definitivo rumo ao amor. Nem tão morno, nem tão ingênuo, mas com escritas firmes de canetas, em páginas pautadas de linhas que se unem no infinito. Com outros pontos, outra métrica, e novas maneiras de declamar uma mesma poesia.

:::Impressionante:::

segunda-feira, 9 de março de 2009

Histórias trocadas

Então vocês começam uma história,
Chegam de mansinho com dois sonhos, duas vontades, duas expectativas, dois passados em seus respectivos bolsos.
Então vocês se aproximam e trocam beijos, trocam palavras, trocam passos.
E trocam os pés pelas mãos.
E trocadas as mãos, nos bolsos pegam aleatoriamente o que ali continha.
E vocês se perdem na história.
Descobrem aos poucos que os sonhos não combinam com as vontades, que as expectativas grudaram nos passados.
Então vocês trocam olhares, trocam queixas, trocam boletos bancários de cobranças.
E trocam farpas e faíscas. E trocam silêncio e despedidas.
E trocados os lados de quem fica e quem vai,
Então vocês terminam uma história.
E trocam por ela, uma anedota.
Um contar curto do que é efêmero e do que passa.
Dos sentimentos levados nos bolsos que não se trocam.
De um futuro que não se toca.
E de uma troca que não se chega ao coração.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

É carnaval!





O Carnaval é aquela pausa esperada
Remediada pelas altas doses de alegria
Ou pelo tratamento intensivo do puro repouso
O Carnaval é o brilho das cores
É o estremecer das batidas
Do surdo, do tamborim,
do velho pandeiro guardado no armário
das cuícas e cornetas
que não cessam de reproduzir o barulho da alegria de um povo.
E por que não dizer:
Da sua alegria?
Seja esse o período pra tirar o mofo das fantasias
Dos seus sonhos guardados
Daquele sorriso enferrujado
Daquela vontade de gritar que a vida,
“é bonita... e é bonita!”
Aproveite pra fazer as malas e pegar a estrada
E aproveita e pega leve
Na leveza de renovar as energias
Para encarar todo um ano pela frente
Cante, dance, pule, se jogue!
Divirta-se você Pierrot, você Colombina.
Previna-se de tudo que pode estragar sua festa
Seja o passista mais bonito
A madrinha da bateria da força de vontade
O mestre-sala e porta-bandeira da vida!
E não deixe folião escondido dentro de você!
Aproveite o Carnaval!
Seja no bloco, na avenida, ou no seu coração...
Pois a alegria que começa dentro da gente,
É o samba-enredo que nos torna campeão.




Quando o Carnaval Chegar - Chico Buarque


Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

2009: RE-COMEÇO

Antes que tudo comece, feche seus olhos. 
Ao fechá-lo assim, sentirá quem és, acima de tudo. 
Quem és, acima de tudo. 
E veja: nada é tão ruim quanto pensavas, quando há um sol ali mesmo,
dentro de ti... 
E já que começou, agora segue. 
Segue em busca do que há de chegar, 
do cheiro bom que o vento traz, 
da flor nova posta do lado contrário de que jogas os seus cabelos. 
Se começou, agora segue a linha, segue o traço, segue à risca.
E pague o preço. 
O inflacionado preço de se arriscar. 
Segue colorindo os passos, quiçá largos, em busca de ti.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Minha vez

Sempre que me perguntam.
Sempre que me apertam.
Sempre que me seguram contra a parede.
Sempre que me falta o ar...

Eu sinto vontade de correr.




Pra longe.




Corri o suficiente pra poder voltar.

Voltar para os que sempre me perguntam.
Voltar para os que sempre me apertam.
Voltar para os que sempre me seguram contra a parede.
Voltar com um pouco mais de ar.

Pra respirar fundo e dizer:

Chegou minha vez de calar!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

pré - ocupa - ação!

esse terá que se preocupar com minhas pausas intercaladas.
decifrar os enigma do bater dos pés.
se tornar aflito pelo excesso de vírgula.
compreender os rascunhos de gaveta.
fazer silêncio com meus gritos contra o muro.
achar absurdo meu deserto de palavras.
apertar forte a minha mão ao ver o morder dos lábios.

pois ele há de sacar.

ele há de sacar.

até mesmo a ausência de letras maiúsculas num post qualquer, desse lugar qualquer, para um tal qualquer, que me quer.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O amor...na visão de Paulinho Moska

"(...)Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor nos domine?
Minha resposta? o amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha. como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto."

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... Para dias que me remetem a outros dias.
... Para dias que trazem a primavera.
... E pra Primaveras que levam amores.

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"Porque, é Primavera... Já cantaria Tim Maia...

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"Let the seasons begin - it rolls right on!!" ...Cantaria Zach Condon do Beirut.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

(Toranja - Carta)

"Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
Como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti..."

VOCÊ NÃO ENTENDE

Você não entende nada que eu demonstre, que eu separe em sílabas, que eu dê significados de acordo com aquele dicionário de tudo que se passa aqui dentro de mim.

Você não entende a cor da minha roupa, que diz ser desta cor só para lhe mostrar alguma coisa, mas você não entende nada! Nunca entende.

Você não entende quando eu te peço baixinho, murmurando o silêncio que há em mim, essas frases loucas e confusas que não querem dizer nada e querem dizer tudo ao mesmo tempo.

Você não entende essa minha cara de choro preso na garganta quando ao invés de rir de seus comentários tolos, o que mais eu queria era pular no seu colo e sacudi-lo até você finalmente entender.

Mas entender o quê? Nem eu sei mais... Depois da tamanha vontade de fazê-lo entender, até eu não compreendo mais um monte coisa.

Eu não entendo como eu consigo andar em círculos sem perceber que você está ali no centro e não existe uma ponte que faça essa ligação entre o meu coração e o teu.

Eu não entendo como ainda assim me permito lançar a você o que haveria de melhor nessa minha carcaça quebrada, meio troncho, que ainda bebe um pouquinho de esperança em embalagem retornável.

Você não entende o que pra mim já foi tão simples, que você tornou tão complicado, ao ponto de hoje eu não entender nem o real motivo que me faz escrever sobre o que ninguém mais entende.

A gente não entende o que deveríamos entender se fosse pra gente realmente se entender.

Entender o que eu quis tanto dizer, pensar, sentir.
Entender o que você tanto quis fugir, negar, abstrair.

Você não me entende...
E poderia tanto entender.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Procura-se um cobertor!

Afinal, afinal... Ele tem o fácil acesso. Ele está ali tão perto. Ele tem o modelo ideal. Ele é o que ela se permitiria, mas se fosse o que ela pretendia. Uma pretensão de que ele se tornasse para ela, o que ela era para ele. Ela é verdade, é puramente simples, nada de sofisticação. Mas ele não a entende. Ele não a lê. E ela se enrola nas suas próprias cordas pra prendê-lo. E ele foge sempre de maneira fácil. Não há nó. Não há laço. Não há nada que o faça ficar... E ele sempre se vai. E ela fica com a mesma dúvida todas as noites em que ele se lança pela janela e se disfarça de sombra na escuridão: Quem é ele? Quem é que o trouxe ali? O que significam esses rastros? Por que deixar tantas marcas? Qual a verdadeira intenção dos seus beijos? Faz frio e ele não a aquece. Faz frio e ele não a aquece. Faz frio e ele não a aquece.

.... E ela não sabe até quando suportará a sensação de sentir frio em dias tão quentes.

Amy Winehouse, por favor!

Uma noite com direito a 1 litro de vinho, música ao vivo e uma mesa com velas....
No caminho, Amy cantou Tears Dry on Their Own e na volta, Valerie.
Uma mistura de sensações, vazio, alegria, confusão.
Nada diferente do que era previsível.
Mas o diferente é que hoje não tive vontade de colocar nenhuma blusa com aquelas tantas flores coloridas. Cores que brilhavam num olhar que foi mais esperançoso.
E Amy está de volta, nesta manhã, como fundo musical:
Back to Black.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Chega logo!

Eu queria encontrar você. Não porque você seja imprescindível, mas porque ando sentindo muito a sua falta. Eu queria encontrá-lo tão logo pudesse se realizar tal encontro e confesso que se me dissessem que você já está a caminho, largaria toda essa minha vida ligeiramente medíocre e correria em sua direção. Porque eu não sei como eu vivi tanto tempo sem conhecer esse abraço que eu nunca sentirei igual.

E é sério quando eu falo que eu queria encontrar você. Queria, de repente, adivinhar qual é seu verdadeiro rosto em meio a essa multidão. Queria adivinhar sua voz entre tantas vozes parecidas. Queria me esbarrar em seus ombros tão perfeitos para recostar minha cabeça. Queria adivinhar quem é você como se já soubesse cada mínimo detalhe de suas loucas combinações com meu corpo, com meu jeito e com minha alma.

Hoje eu queria encontrá-lo por aí, pois estou um pouco zonza de tantas voltas e passos trocados. Talvez esse “por aí” seria o local ideal pra segurar sua mão bem forte e correr bem pra lá... Longe do medo que gela meu corpo ao pensar, por vezes, que talvez a gente nunca consiga se encontrar.

Vê se chega logo. Vê se tenha pressa. Vê se corre e pega o próximo trem que já apita na estação. Vê que eu to aqui aflita... vê que eu aguardo notícias, pra tranqüilizar um coração. E veja que eu já te amo, tanto quanto te quero, na mesma medida em que te espero, até essa história enfim acontecer...

Até eu encontrar você.

domingo, 10 de agosto de 2008

Pronto!

Ele estava em coma. Ela recebeu a notícia sobre seu estado vegetativo. Fez o que pode, mas seus dias, de certo, estavam contados. Ela ia visitá-lo todos os dias. Relia seus escritos, registros de quase 7 anos de existência. Pouco a pouco acompanhou a perda de seus sinais vitais. Tentou procurar um outro, que tal como ele, pudesse lhe acompanhar. Mas não conseguiu. Sentia como um ato de traição, pois até então ele ainda existira. Ainda. Até então.

Ele se foi. Deixou de existir. Deixou um espaço com escritos confusos que afirmam que não mais ela poderá vê-lo outra vez. E levou tudo o que ela disse a ele durante todo esse tempo. Levou alegrias. Levou tormentos. Levou nomes e datas. A levou com ele.

Hoje, ela está aqui com esse outro... meio acanhada e receante perto de algo que mal a conhece. Hoje ela decide se mudar de vez pra cá, já que aquele não existe mais. O velho dá espaço para o novo.

Agora sim, muito prazer, blog novo! Espero que eu e minha 3ª pessoa tenhamos muito que aprender um com o outro.

Você, com minha vida entre linhas e eu com suas linhas da minha vida.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Segurança

Quando tudo começa dentro de si
Aonde vai parar?
Segura! Segura!
Esse tudo não tem asas
mas teima em querer voar.

Quando começa aqui dentro
Não sei onde vai dar
Vou renovando
Vou torcendo
Pra essa paz então chegar

Segura...
Se segura...
E segura a minha mão...

Que dessa vez
O que começa aqui dentro
Pode dar de cara com a vida lá fora
E não vai querer terminar.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tudo Novo de Novo - Paulinho Moska

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Ela pelos olhos dele

Descrição feita por Marco Romer em 2002:

Jaqueline tem um metro e setenta e poucos, nunca parei para medir, já que ela é mais alta que eu nem faço questão de saber. O peso dela eu poderia até dizer mas não sem ela me matar de forma violenta então prefiro evitar.

Eu a chamo de "Jaque" embora saiba que ela prefere "Nine" e não faço isso para irritá-la apesar d´eu ter certeza que ela acha isso. Jaqueline já teve cabelo de todas as cores conhecidas pelo homem, eu presenciei apenas umas 10 tonalidades diferentes e, infelizmente, nunca conheci a cor original porque ela não deixa o cabelo crescer.

Mas a primeira coisa que me chamou atenção nessa pessoa foram os olhos e até hoje ainda é. São lindos demais e não só pela cor, "cor de burro quando foge" como ela mesmo diz, e nem pelo formato, que ela insiste em depreciar, mas especialmente pela transparência. Os olhos de Jaqueline não mentem, não importa o quanto ela insista em tentar. São olhos que me acostumei a ver cheio de lágrimas sem nunca deixar de me sentir morrer um pouco a cada vez.

Jaqueline ainda não se decidiu, não sabe se é menina ou se é mulher. Seus sonhos misturam fábulas com planos concretos, confundindo a realidade com o imaginário, Jaqueline é atriz de milhões de papéis de novelas que ela mesmo inventa, só que se esquece de terminá-las. Insiste, todo o tempo, em mudar o que é de fato, mas só muda no ato, nunca o tempo inteiro. E todos os erros que comete de novo e de novo e de novo fazem seus olhos brilharem ainda mais forte, sempre mais forte, mesmo por detrás dos cristais de lágrima.

Jaqueline é dona de um sorriso fatal, destruidor de "nãos", conquistador de inúmeros corações, mal sabe ela o quanto da minha dor ela já destruiu com apenas um leve sorriso. Ao mesmo tempo em que me tira do sério com uma facilidade imensa, consegue me fazer parar de chorar apenas com sua presença mesmo que distante, brigamos muito mais vezes do que sou capaz de me lembrar mas logo depois das primeiras percebi que jamais precisaríamos fazer as pazes.

Jaqueline é a amiga que me dá mais trabalho e também mais alegrias. Me surpreendo o tempo todo mas sempre estou me lembrando que com Jaqueline tudo se espera.

E eu, que tento descrevê-la agora, só escrevo sobre o que sei, e só sei sobre o que sinto, e só sinto o que ela me passa e, desde o primeiro momento em que a vi, só o que ela passa é amor.

Essa é a minha amiga. Sejam bem vindos à vida dela. Acreditem, assim como para mim, para vocês já não há volta.

domingo, 15 de outubro de 2006

Um novo começo

"Olha eu não sou daqui. Diga onde estou."