A maré que não voltou

"Tudo aquilo que sempre se lançou ao mar, não mais voltava com as ondas. Não mais voltava o som dos gemidos. Dos gritos. Dos sussurros..."

Sabor de saudade

"Sabe o vazio? Não, não é esse assim que você conhece. É aquele que só ela julga ter e sentir..."

Me escuta

"São palavras de menina, com medo, no canto da sala. Ela não sabe o que diz, mas insiste em dizer. E eu digo."

Chega logo!

"E é sério quando eu falo que eu queria encontrar você. Queria, de repente, adivinhar qual é seu verdadeiro rosto no meio dessa multidão."

terça-feira, 26 de março de 2013


Sabe o vazio?
Não, não é esse assim que você conhece.
É aquele que só ela julga ter e sentir.
Amanheceu na cidade cinzenta e ela acordou apática.
Sutilmente ela tentou dispensar os pensamentos negativos,
Mas tem dias em que as lembranças são como úlceras mal curadas.
Abrem feridas internas, mais uma vez.
E no jeans rasgado, uma moeda de dez centavos e um papel de Halls.
Restos de saudade...
Com sabor melancia.


Tudo aquilo que sempre se lançou ao mar, não mais voltava com as ondas. Não mais voltava o som dos gemidos. Dos gritos. Dos sussurros. Do barulho que quebrava o silêncio do mar tranquilo, sem ondas. Não existia o que voltar quando aquele lançar atingia a distância em que se perdiam as vistas. Não tinha motivos para esperar o retorno do que não existia mais. 
Ficaram as pegadas solitárias na areia e as cartas em garrafas sem destino certo. 
Restaram o mar revolto e o céu aberto. E tudo aquilo num peito coberto de água e sal.

sexta-feira, 22 de março de 2013





"(...)Por isso hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado... de bater na porta do vizinho e desejar bom dia... de beijar o português da padaria." (Zeca Baleiro - Telegrama)
 
Vamos supor que está tudo certo.
Vamos isolar apenas essa variável para ser considerada.
Vamos nos permitir sentir a força de dias em que o sorriso é inevitável para aquela cara corada.
Vamos supor que esse suspiro se justifica pela palpitação do seu coração.
E que toda essa suposição explica o olhar que se perde além do vidro da janela...
Vamos supor...
Apenas supor.

Supor que esse sentimento chegou por aqui e precisa de espaço pra se aconchegar e ficar.

Ficar até hoje, até o feriado, até o fim do mês, até o fim dos nossos dias.

quarta-feira, 20 de março de 2013



Sua irmã falou: olhe para os lados!

Ora, como assim? Tudo que a garota fazia era observar, cá e lá, tudo que a cercava. Ela só podia estar brincando. Mas ela abriu, então, os olhos para todas as direções.  E, de repente, ela o viu. O tal garoto apareceu. Não era um desconhecido: ela já sabia seu nome e ele o dela. Sabiam essas ou aquelas informações sobre o outro. Mas ali, naquele momento, ela o viu. Ou melhor, o sentiu. Pode olhar em seus olhos, como nunca tinha feito antes. Olhar triste, de fato, que a permitiram fazer a opção mais delicada: ela ofertou seus ombros para carregar suas dores. Achou, assim, um caminho para fazer bem ao garoto, sem se dar conta que, a cada dia, via sua força se esvair junto com um medo real: ela também é uma garota.  

Uma garota com coração aos cacos. Todo remendado. Costurado com promessas, mentiras, lágrimas e uma boa dose de esperança absurda para ser feliz. A garota se cuidou, se guardou, se protegeu como pode durante dois longos anos. Ela tinha jurado para si mesma que nunca mais esperaria por homem algum. Nem ofertaria o melhor dela para um garoto que, a qualquer momento, outra vez, poderia seguir correndo para os braços de um outro alguém. Até ele aparecer.

E logo ela - a garota que só queria andar de mãos dadas - teve medo de entregar suas mãos para aquele garoto. Como suportaria os freios impostos para não tocar, acariciar, beijar subitamente quando fruto de desejo? Como ira conter a vontade de ligar, de conversar a todo tempo sobre os causos de sua rotina?  Como não mostraria para todo mundo o que sentia?

Ela era intensa. Sim. Plenamente entregue ao que se permitiu sentir desde que seus olhos fisgaram o garoto. Mas de nada iria valer se ele não estivesse entregue, de coração, para viver isso também.

Eles não tiveram nada o que devolver um para o outro, mas tinham tanto ainda para mostrar entre eles! Ficaram algumas histórias na gaveta. Alguns olhares e palavras soltas no canto do quarto. Ficou o gosto que poderia ter tido. O toque que não foi dado. A música que marcou o encontro que não aconteceu. Ficou o primeiro abraço que tiveram, repetindo e repetindo, na lembrança esfumaçada pela decisão: ela se foi. 

E, para ela, decidir seguir sem ele, sem sequer ter dado tempo daquela história ter ainda alguns sorrisos estampados em fotos, ou terem dançado na chuva, se beijado cheios de saudade num encontro inusitado no meio da tarde, foi muito difícil. Mas ela sabia exatamente onde estava pisando e aqueles passos, certamente, não a levariam para uma trilha segura, sem antes a garota passear por tortuosos dias nublados e cinzas.

Justo ela, a garota de cores infinitas de amor, que sonhava em ser, um dia, uma mulher de verdade.

“E eu só peço a Deus um pouco de malandragem...”
(Cássia Eller)

quarta-feira, 13 de março de 2013


"Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão... "

(Dança da solidão - Paulinho da Viola)

Deixa eu falar. Faça perguntas. Queira ouvir o que tenho a dizer. Não sou um recipiente, uma porta. Tenho voz e preciso gritar. Mas de nada vale se isso não chegar a você.

Então chegue mais perto! Me ligue. Apareça na janela enquanto eu buzino ali embaixo do prédio. Seus ouvidos estão cada vez mais longe dos meus lábios e eles balbuciam palavras trêmulas e confusas.

Me ouça e, se der, entenda o que eu digo. Pois o que eu falo é vago e sem sentido, por não ter consistência, cartão de vacina e nem ser maduro o suficiente. São palavras de menina, com medo, no canto da sala. Ela não sabe o que diz, mas insiste em dizer. E eu digo.

E por  você não querer ouvir fica tudo aqui, acumulado e opaco, num amontoado de vírgulas e reticências que não explicam minha saudade, minha vontade, minha fome.

Então me leia nessas entrelinhas tortas. Olhe pra mim, segure minha mão bem forte e acabe logo com isso.

Pois tentar falar o que eu não sei falar e querer - mais uma vez - dizer tudo que você já sabe, é constrangedoramente trágico.

Trágico, mas vital para um coração que não aguenta mais tanto silêncio e escuridão.



terça-feira, 12 de março de 2013


Eu queria voz. Um pouco rouca e grossa, que combinasse com sua barba espaçada, mas que completasse substancialmente o charme de seus cabelos castanhos que insistiriam em cair sobre seus olhos. Aliás, seria mel. A cor dos olhos e o gosto dos seus beijos. A pele clara combinaria com o sorriso largo, enquanto a sua gargalhada produziria efeitos terapêuticos ao ecoar em mim.

Eu queria braços fortes para me carregar em dias de sono e me abraçar loucamente quando fruto da saudade. Das suas mãos emanaria o carinho perfeito para tardes chuvosas e aparariam com candura desde as minhas lágrimas singelas até as torrenciais. Nas suas costas caberiam a nossa casa e nossos sonhos e se assemelhariam ao tamanho do seu coração bondoso para com o mundo que o cercasse.

Eu queria que seus dedos dedilhassem várias canções ao anoitecer na varanda e que nelas eu viajasse nas trilhas que embalaram nossas melhores lembranças. Queria também uma fé lúcida e tenra que trouxesse o céu para mais perto da gente. E de suas falas, eu queria as piadas graciosas, os contos e poesias, as palavras mais certas, as dúvidas necessárias para desvendarmos juntos.

Eu queria nossos filhos, com dois nomes e setenta por cento mais do jeitinho dele do que meu. Ao querer neles tudo isso que eu sempre quis: o amor, o amado, o amável. E dia após dia, durante todo o tempo em que eu pudesse tê-lo ao meu lado, eu o queria ali: sussurrando que me ama, bem baixinho e com aquela voz rouca, enquanto eu terminaria de recortá-lo e montá-lo na minha memória já falha e cansada, com o coração repleto de paz.

domingo, 10 de março de 2013

"Tudo que vai... Deixa o gosto, deixa as fotos. Quanto tempo faz? Deixa os dedos, deixa a memória. Eu nem me lembro mais... Fica o gosto, ficam as fotos. Quanto tempo faz? Ficam os dedos, fica a memória... Eu nem me lembro mais!" (Tudo que vai - Dado Villa-Lobos, Alvin L., Tony Platão)



Hoje eu tentei te buscar em minha memória. Vasculhei a gaveta onde eu escondo os arquivos que eu jurei nunca mais abri-los e você não estava lá.


Achei que você pudesse estar entre as lembranças dos livros que eu li, mas nenhum deles contavam sobre a nossa história.


Levantei o tapete na esperança de que ao menos aquelas brigas e palavras que nos machucaram tanto estivessem ali, escondidas no local que as deixamos. E nada!

Lembrei-me das tantas juras que mandei fazer moldura para pendurá-las ali, naquela parede azul da sala de jantar. Os quadros continuavam no mesmo lugar, mas estavam todos vazios, sem juras ou promessas. Todos em branco.

Liguei o rádio para ouvir a nossa canção e, quem sabe, a sua voz cantando em meus ouvidos, mas todas as músicas eram novas e eu desconhecia as letras.

Abri então o armário, pois sabia que de lá sairia o seu cheiro, que exalava das roupas que você tinha deixado pra buscar depois... Mas só senti o cheiro de mofo de um armário vazio.

Procurei desesperadamente aquele nosso álbum e nas fotos você já não estava ao meu lado.

Subi as escadas e te busquei na varanda, que tinha vista para aquele horizonte tão cheio dos nossos planos e sonhos... Lembra?

Mas o que eu avistei foi um futuro sem você.

Deitei, então, na cama que tanto acalentou nossos corpos, mas só senti o frio cortante da solidão.

Desisti de te buscar.

Descobri que o tempo chegou primeiro e te levou de mudança para um lugar que eu não posso visitar. Tempo que apagou você em mim e deixou em seu lugar o vazio de uma saudade esquisita, que ora chega sem avisar, ora parece me matar. Como uma ventania que invade e mexe. E passa.

Como sempre... passa!

Mas que insiste em doer ao passar por mim.

terça-feira, 5 de março de 2013

Eu queria encontrar você. Não porque você seja imprescindível, mas porque ando sentindo muito a sua falta. Eu queria encontrá-lo tão logo pudesse se realizar tal encontro e confesso que se me dissessem que você já está a caminho, largaria toda essa minha vida ligeiramente medíocre e correria em sua direção. Porque eu não sei como eu vivi tanto tempo sem conhecer esse abraço que eu nunca sentirei igual.

E é sério quando eu falo que eu queria encontrar você. Queria, de repente, adivinhar qual é seu verdadeiro rosto no meio dessa multidão. Queria escutar a sua voz entre tantas vozes parecidas. Queria me esbarrar em seus ombros tão perfeitos para recostar minha cabeça. Queria adivinhar quem é você como se já soubesse cada mínimo detalhe de suas loucas combinações com meu corpo, com meu jeito e com minha alma.

Hoje eu queria encontrá-lo por aí, pois estou um pouco zonza de tantas voltas e passos trocados. Talvez esse “por aí” seria o local ideal pra segurar sua mão bem forte e correr bem pra lá... Longe do medo que gela meu corpo ao pensar, por vezes, que talvez a gente nunca consiga se encontrar.

Vê se chega logo. Vê se tenha pressa. Vê se corre e pega o próximo trem que já apita na estação. Vê que eu to aqui aflita... vê que eu aguardo notícias, pra tranqüilizar um coração. E veja que eu já te amo, tanto quanto te quero, na mesma medida em que te espero, até essa história enfim acontecer...

Até eu encontrar você.

domingo, 3 de março de 2013


A rebuscada história que nos pertence, por vezes parece ter sido esculpida a mão. Mãos de Deus ou do tal Destino que se disfarçam de coincidências acumuladas ao nosso redor.

Quem te escolheu pra mim? Por onde os teus passos insistiram em trilhar até aparecer em minha perspectiva sem rota de fuga? Quem fundiu nossos perfumes? E quem chamou essa fórmula de química entre meu corpo e o seu?

Essa história que a gente escreveu não tem roteiro ou repertório aprovado em reunião. Não dá filme, não dá samba, não dá rock.

O que dá é uma agonia aqui no peito em não tirá-la do papel.

Eu até que teimo em sair pelas direitas e esquerdas que me escoram, mas me perco em seu aviso proibitivo que impede de fugir.

Você me prende e me sufoca numa esperança injusta de que tudo isso faça sentindo um dia.

Mas só me revela a certeza de sentidos efêmeros que duram primaveras.

E por mais que eu me esforce ao olhar no espelho e dizer que não quero, é a mim que eu nego e só me entrego ainda mais ao que me aproxima do seu coração.

E se no seu coração não há espaço pra mim, me arrasto entre as frestas e lhe faço surpresa a fim de virar presente enquanto o futuro não chega.

E nessas horas, a rebuscada história que nos pertence, por vezes, parece nem ser tão rebuscada assim.

Virou folhetim.

Fragmento de romance publicado dia a dia em um jornal.

Ou revista em quadrinhos...

Sem falas diretas que digam o que sinto.

Tornando-as tão vagas e incertas quanto a degeneração gradativa das coincidências que nos unia.

Um desenho, com graça e cores, enquadrando minha esperança alegórica.

No sentido figurado de um amor que criei, numa rabiscada história sem fim.



sábado, 2 de março de 2013



Quando ela vestiu a blusa que estava dobrada na gaveta...

Quando ela tirou os grampos que prendiam seus cabelos...

Quando ela passou o esmalte em suas unhas...

Quando ela coloriu os lábios...

Quando ela sorriu pro sol...

E saiu assobiando o amor...

Foi assim que eu a vi diante de mim.

No espelho da minha alma.

No retrato falado de uma nova esperança.

Esperança de ser feliz.





Os sentimentos que outrora foram tão confusos, podem se tornar simples como num passe de mágica... Aquela pedra que rolava ribanceira abaixo, de repente se transforma em pena solta ao vento. A vida tem essa mania esquisita de pregar peças na gente. E na maioria das vezes nos surpreendemos com tamanho jeito que ela leva para esse tipo de coisa. E nessa cena em que tudo passa a fazer sentido, eu costumo apertar a tecla "pause". Fico horas voltando a imagem de um ponto a outro, na esperança de ver ali um sinal. O momento em que aparece aquele "click" que acende a luz no fim do túnel, que dá a melhor idéia, a solução mais viável, que traz a sorte de volta para a vida errante. E enquanto eu não descubro o momento exato em que o mundo resolveu dar mais uma de suas voltas, sigo adiante apertando a tecla "play" desse - incontrolável - controle remoto apontado para o filme da minha vida.

sexta-feira, 1 de março de 2013


"Ella despidió a su amor. Él partió en un barco en el muelle de San Blas. Él juró que volvería. Y empapada en llanto ella juró que esperaría..." 
(En El Muelle De San Blas- Maná)


Por ele, ela deixou a cor real do meu cabelo aparecer. Aliás, foi também por ele que ela deixou este mesmo cabelo crescer. Ele dizia que queria sentí-lo entre os dedos. Entende? Seus cabelos criaram forma ao seu rosto de espera, e fio por fio iam esticando como o tempo do relógio, de tão longo.

Por ele, ela comprou aquela roupa. Usava poucas vezes para que não se tornasse velha. Não queria gastá-la. Ele iria gostar e, certamente, lembrar que se parecia com a roupa que usou naquele primeiro encontro. Ele havia gravado cada detalhe da roupa dela. E isso a surpreendeu. Usar esta roupa nova comprada para um segundo "primeiro encontro" iria ser igualmente especial.

Por ele, ela correu atrás de tanta coisa. Levou a sério seus conselhos e quis ser alguém mais leve, mais feliz. Pois era assim que ele a fazia sentir. Tão leve, tão feliz. Ela nunca escondeu a alegria de acreditar naquele amor. Assim que ele voltasse, depois de um longo tempo fora do país, eles reatariam a esperança e juntariam os tijolos dos sonhos que esperaram para serem construídos juntos.

Por ele, ela esperou. Por quase dois anos... Braços abertos. Frases decoradas. E uma vida repleta de mudanças ocasionadas pela chegada dele em sua vida.

Ele voltou. Mas nunca, nunca, nunca a procurou.
Ele voltou, mas não voltou por ela. Nem pra ela.

Um misto de vergonha e raiva tornaram-se as tintas que mancharam tudo que ela tinha feito por ele. Ela cortou o cabelo, rasgou as roupas, fez outros planos. E jurou nunca mais andar na contramão do amor-próprio.

E nas noites de chuva e vento forte, dizem que ela saboreia o medo de ficar sozinha pra sempre.

E ela se lembra do amor ingênuo e sincero que guardava dentro de si. Talvez esta seja a única saída de emergência para que ela seja resgatada, com algum resquício de doçura, das garras da solidão.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013



Tem dias em que são tantas coisas para pensar, para fazer.. tantos cacos para juntar, lágrimas para secar.. são dias de tantas dúvidas... Interrogações gigantes tornam-se placas em nossos caminhos e que nos levam para cada vez mais longe de nós mesmos. A correria da vida nos faz brincar de esconde-esconde com a nossa face no espelho. E numa tentativa de reencontro da parte nossa que se perdeu, ter saudade de você mesmo é estranho e bonito.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013



- Ei, você! Me faz companhia?! Sei lá! Aparece aqui, começa um bate-papo, manda uma mensagem, um código secreto, um e-mail, um olá! Mas seja imprevisível, me assuste, invente uma história pra nós dois que seja diferente das tantas que eu já planejei. E, de preferência, diferente daquelas histórias que renderam cicatrizes em mim, pois se você repetí-las na minha frente eu correrei para ainda mais longe de ti. Então vem!!! Vem e me pegue desprevenida, sem falas ensaidas. Vem ser o estranho, vem conquistar este meu coração cansado, de batidas espaçadas e a bombear um sangue frio. Vem, que eu juro que não te conheço mais e nem sei de cor todos os nomes que inventei pra chamá-lo. Vem, amado meu, enquanto eu já esqueci que um dia você vai chegar de vez pra mim...


domingo, 24 de fevereiro de 2013



Passeando pelo Parque da Cidade é inevitável parar pra observar os "cadeados do amor", como aqueles da ponte em Paris. E, bem aqui, na ponte do nosso parque, casais apaixonados também deixam cadeados com seus nomes e lançam as chaves no pequeno lago, na esperança do tal “pra sempre juntos”. É lindo passar pela ponte e se emocionar com esse ritual que tenta simbolizar o amor mútuo de uma maneira tão delicada. :) ♥

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


"Quem é você?
Que se esconde,
atrás de um nome qualquer,
Não aparece pra mim,
Estende a mão,
Trazendo a chuva,
Tocando o som do trovão,
será que vamos saber?"

(Pouca Vogal - Música Inédita)

Não se foi um acessório para roupa ficar completa. O brinco pode não ter caído tão bem e a sensação de vazio pode ter aguçado um pouco além.

Às vezes pode ter sido o fato de eu não ter comido nada antes de sair de casa. O vazio poderia se chamar fome e me deixar assim com essa aparência abatida.

Se bem que agora estou me dando conta que esqueci a agenda em cima da cama. Quando isso me acontece fico totalmente perdida e insegura com relação ao tempo, seja ele presente, passado ou futuro.

Pode ser também a falta de sol. Os dias cinza clamam pelo brilho solar para reavivar as cores dos gramados, do céu, das flores. Quiçá do meu olhar que teima em ficar mais bonito nas tardes ensolaradas.

Mas hoje faltou algo que ainda não sei dizer...

Seria a colega de trabalho que saiu de férias e me deixou sozinha?

Ou foi o dinheiro no banco que encolheu estupidamente e não me permitiu comprar uns sonhos novos?

Não duvidaria se essa sensação fosse ainda proveniente da falta dos abraços apertados das comemorações de final de ano da empresa.

Ou mesmo a falta da caneta azul, 
aquela de ponta fina que eu nunca mais encontrei igual, para escrever as tantas cartas que prometi enviar pelo correio um dia.

Eu só sei dizer que alguma coisa faltou.

Só não sei se foi aqui dentro ou aí fora. M
as eu posso lhe garantir que isso me deixou na beirinha de um abismo enorme, sem fundo e sem eco algum que devolvesse o meu clamor.

Pois hoje faltou alguma coisa que sucumbiu minha força e me jogou no chão.

Algo que desatou os nós de pensamentos que estavam tão amarradinhos dentro do meu peito.

Hoje faltou algum ponto, alguma oração coordenada sindética explicativa ou conclusiva, alguma expressão numérica, sei lá!

Faltou tocar alguma música que tocava no rádio todos os dias. Faltou algum tempero na comida. Faltou pagar a conta de luz?

Faltou passar o ônibus de 07h30. Faltou tomar o remédio. Faltou pentear o cabelo. Faltou beber 2 litros d'água. Faltou bater o ponto.

Acho até que o que faltou não deve ter nome, forma ou qualquer outro atributo mensurável, pois o vazio é tanto que é bem provável que o me fez falta nunca tenha existido.

Tudo isso por faltar o que eu não consigo explicar.

Mas talvez tenha faltado você.

Você que pode ser amor, felicidade, emprego novo, faculdade. Que pode ser um marido ou meu filho. Ou um cachorro vira-lata. Um felino. Você que pode ser uma nova poesia, uma canção pra mim, um acaso feliz, aquela viagem, o corpo saudável, a roupa da foto, o vídeo clipe perfeito, a recordação bonita, o mistério do futuro desvendado.

Mas eu preferiria que fosse você. Uma pessoa certa disfarçada de saudade, do que apenas “algo” ou “alguma coisa”.

Pronomes indefinidos dão lugar a um pronome de tratamento. Mas que ainda insiste no vazio por não ter um nome próprio.

Dentro de mim.



*Esse texto foi postado em 18/01/2010. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013



O dia começa e, cá com meus botões, eu me encho de motivação pra acreditar: Ainda dá tempo de respirar bem fundo, correr atrás, aquecer, dar um gás, se jogar. Não importa em que momento da sua estrada você se viu estagnado e pensou em desistir: ainda é possível juntar os caquinhos e dar uns passos adiante. Olhe pro céu. Olhe para os lados. Olhe pra si. Fácil não é, mas o vento flui bem melhor sobre a vela quando o barco está lançado ao mar do que na areia. Movimente-se, aperte o cinto e curta a viagem. O caminho já é belo por si só. Que ele nos inspire a seguir sempre frente e ser feliz.

domingo, 10 de fevereiro de 2013


A mente vazia repete atrás da porta que define sua entrada:
Não há ninguém!
Ninguém prometeu escrever, voltar, chegar.
Não há nenhum tipo de retorno sensível.
Nenhuma frase de impacto.
Nenhuma cena eternizada ou incompleta.
Os pontos e os pingos estão nos devidos lugares.
Não há nada que modifique o status do vazio que se apropria da esperança obsoleta.
A negação substitui com veemência a dúvida que inquieta e irrita.
Ao negar a ação de esperar o que não existe, faz-se real a presença do nada.
O nada que acontece, de maneira induzida, na mente que aprendeu a ser controlada, ponderada e limitada.
Adestraram a mente para educar o coração.
Prepararam as poucas escolhas e sorte para suprir a dependência e carência, como alívio certo.
E deixaram pequenas frestas para que a luz, um dia, invadisse o vazio.
Mas os olhos se fecham para que as vistas não assimilem as possíveis luzes,
Ora do passado, ora do futuro.
E a luz que teima em entrar pelas frestas, não é decodificada e compreendida pela mente castrada,
Atrofiada à certeza do nada permanente.
A mente não entende como esses feixes poderiam persuadir o vazio.
E sequer sente a necessidade de que eles entrem.
Ela ignora e segue, deixando ecoar o velho lamento:
Não há ninguém.
Ninguém que traga a cura em tempo, antes de findar a queda livre
Rumo ao vazio infinito de sua solidão.
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