quinta-feira, 25 de outubro de 2012

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“A voz do anjo sussurrou no meu ouvido.
Eu não duvido já escuto os teus sinais...
Que tu virias numa manhã de domingo.
Eu te anuncio nos sinos das catedrais...”

(Anunciação - Alceu Valença)


Por vezes surge aquele arrepio do medo. Noutras aparece um interminável frio na barriga. Quando menos espero chega o peso da angústia, enquanto mina em meu semblante o suor da ansiedade. O relógio da sala entoa um tic-tac agudo que martela seu nome dentro de mim. 

Na estante o livro poetiza sua falta e na vitrola a música me consola: “Não se afobe, não... que nada é pra já!”. E enquanto isso eu teço estratégias, decoro minhas tantas possíveis falas e faço foto-montagem de tudo de melhor em mim, que eu guardei pra você.

E na louca corrida rumo ao seu abraço, eu tropeço na escuridão e me perco no labirinto de espelhos. Eles teimam em refletir o que a gente espera um do outro, lançando fendas de luz que cegam e confudem. E o medo transforma em lenda o nosso futuro retratado em tinta guache.

Você chega e prefiro sair da cena desse roteiro programado. Não quero pra essa história o peso de algo pendente. Eu quero um conto leve, como pluma solta ao vento. Quero olhar nos seus olhos e ver minha pressa se esvair e dar lugar à mesma paciência que segurou as pontas dessa espera.

E é assim que, com passos para trás, eu retorno à sombra da espreita. É assim que, de longe, velarei por ti, com meu amor, dando espaço para que você recrie suas raízes em solo firme e abra seu coração para novas histórias.

Estarei sempre por perto, mas sem mais interpretar um papel que não é meu, dançar uma música que não é minha. Deixarei meus braços estendidos em sua direção e com a certeza de que o tempo será nosso melhor amigo.

E foi preciso lhe falar, agora, quando tudo isso ainda está quente, pulsando, latente aqui dentro do peito. Eu tive que dizer enquanto eu tenho a coragem , já que certamente ela me faltará e silenciará a verdade contida nas minhas falas ensaiadas diante do espelho.

Digo, agora, já que o amor é certo e desmedido e já não agüenta estar contido nesse velho coração.

Digo isso, agora, enquanto ouço o barulho da sua chegada apitando na estação.



"(...)Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais..."

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7 comentários:

Karine Karen disse...

A poeta que eu mais gosto de ler!

Ivan disse...

Poxa, descreveu de forma sensacional a ansiedade de alguém apaixonado... bjos

Cristina Pegui disse...

É tão bom sentir-se mais leve né? E assim caminha a humanidade. Vamos que vamos Jaqueline Kelen, a muito o que fazer por aí, por aqui, por lá...

Quebre literalmente as correntes e vamos a luta, nem que seja pra sair ferido, mais pelo menos pra dizer que a luta não foi em vão.

=)

Juliane Silva disse...

Já tens um livro?Eu compraria *-*

pree disse...

ai ai. nem comento, né? <3

Cecilia disse...

To louca pra ver o final disso tudo!
To aqui na torcida sinhá!
Amo tu por demais!♥

Felipe disse...

uau